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quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

#8 (10 segundos)

À cada 10 segundos que se passam
me vêm mais 10 motivos para não querer mais acordar
e à cada 10 palavras sujas nas quais
insulto meu próprio nome, sinto-me 10 vezes mais arrependido
por não poder voltar há pelo menos 10+3 meses atrás.

À cada nota em vão que ressoam as cordas,
10 palavras se dissipam ao relento do meu exílio,
ao desaconchego da minha prisão
E à cada 10 segundos que rabisco isso ao invés de cantar
[algo para ti,
sinto-me à 10 quilômetros de distância do teu coração.

#7 (Soneto)

Me sinto tão inerte...
Inerte ao ponto de nenhum acorde,
nenhum santo ou nenhuma palavra
poderem externalizar o que sinto.

Não me acho justo, não acho isso tudo digno.
Não acho direito e nem me acho o certo.
O certo para você.

Faz tempo que não me sinto assim...
sem pés, sem chão.
Faz muito tempo que não me sinto
tão impotente, sem "sim", sem "não"

Faz tanto tempo qeu nem lembro
como é estar tão longe de tudo e de todos...
como é estar tão longe de você.

#6 (Reluto)

Mas uma vez da verdade torta fez-se o pranto
e de pouco acalanto fez-se a solidão
O que eu não sei porquê, não sei por onde
nem por quais motivos parte o meu coração

Dois arrepios correm a espinha com tanta ferocidade
que a velocidade quase nem se vê
Qualquer presença que não seja a minha
talvez seja a melhor coisa a se fazer

Teus programas, meios, seios, coxas,
colegas, cantos ou antiga paixão;
talvez não seja meu meio, e o que está feito,
ou qualquer defeito não tenha razão

Será que este é o momento,
para você fazer o que quis fazer?
Será que sou o melhor mesmo,
aquele com quem queres viver?

Mesmo que não haja tempo,
saibas que meu sentimento é de todo real,
Peço-te que depois de tudo,
acima de tudo não me leve a mal

Mesmo que não faça diferença alguma
saiba que não és qualquer uma, e como sempre,
[quero-te apenas bem
pois há muito, que eu até reluto por qualquer porém

Apenas por temer a dor de saber
que em outrora fui capaz de te magoar
e não há dor maior para quem ama,
do que saber que é por tua causa que a sua musa está a chorar

mesmo que não haja perdão quero que saiba
que dedico-me a ti com meu melhor
e todo o amor do mundo é pouco para o que sinto
e amor de verdade é quando se reconhece

o que não se está bem,
e quando o próprio bem-querer se sentiria bem
ao estar bem, mas bem longe de ti mesmo.

#5 (Sang'real)

Vieste com mais termo e prosa
do que sempre costumava andar,
E repetiu algumas das palavras que
ninguém nunca quis escutar

Mostrei-te mais um pouco de tudo
o que sempre eu ousei mostrar,
e como sempre, indagou umas e outras
pra qualquer atrativo tentar arrancar

E em um pulsar de corpos, pecou em querer me contar
a verdade sobre a vida e como vivem os amantes deste lugar
E é como se issem e vissem, como o vento que mente voltar;
as cascas e a gente torta que fingem se amar.

Senti-me mais um entre as 54,
descartável, ou sem fixo lugar
E meus olhos queimaram em silêncio,
morrendo por dentro mesmo sem dobrar

E o descarte e desquite não fizeram-se notórios
como há tanto tempo teimei acreditar
E por poucos segundos, ficar estático não era uma opção;
disse-me que outros ou outras a qualquer hora poderiam chegar

E pela primeira vez na vida
as coisas se puseram no devido lugar,
e por 10 segundos o próprio mundo, se fez desabar

E eu não acreditava que havia escutado,
o som do mal-entendido, já havia se perdido
E era hora de deixar pra lá.

Meu coração por alguns momentos não se permitiu ouvir
nem sequer uma palavra do que tentou me convencer
Mas bem no fundo eu já sabia...

Que o que há entre nós é bem diferente
de toda essa gente que não sabe o que faz,
Eu sei que será eternamente minha moça,
e eu, teu rapaz.

E eu sei, que nada faz sentido.
Nada além da minha chave d'ouro.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

#4 (Ai de ti)

De tantas e tantas outras nas ruas, já nuas, tão suas
há tanto tempo que o próprio tempo de vida não é o bastante
pra contabilizar e nos dizer quantas são,

Porque tens de voltar teus olhos sedentos de desejo
para a minha pequena?

Não sei se suportarei a dor de ver-te almejar o que possuo,
o que amo, a minha maior razão existencial.
Ai de você, se ousares voltar teus olhos vermelhos para
a minha e só minha pele macia e esbranquiçada pelas mais lindas nuvens,

Ai de você, se ousares tocá-la outra vez.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

#3 (O que vem de não se sabe onde)

Quando o dia-à-dia se confunde com a poesia,
é chegada então a hora de escrever.
Não sei como começar, nem sei como, ou o quê dizer,
só sei que de uns tempos pra cá ando com medo...

Ando com medo de ficar sozinho.
Com medo das sombras, com medo de qualquer sussurro...
Tento acreditar que as luzes que vejo de beira,
são coisas da minha cabeça, que as sombras que me vem na visão
são apenas pequenos de feitos que precisam de lentes corretivas...

Na verdade é como se fosse tudo um tipo de influência,
como se alguém quisesse que eu fosse mais além da moral,
mas além do que o meu caráter permite.

É como quando o corpo pede uma ou duas cinzas e não se sabe porquê,
é chegada a hora de dar uma parada, uma refletida, uma meditada...
de parar pra pensar nos quês dos quais e poréns, pra ver se fica tudo bem.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

#2 (Amigos Imaginários)

Amigos imaginários surgem não se sabe de onde,
não se sabe pra quê, não se sabem porquê...

Dores com duplo sentido fazem toda e qualquer coisa
perder todo e qualquer sentido que já pôde ser registrado,
que já pôde ser sentido, que já pôde ser dito, falado, gritado.

O último sorriso que me deixastes, fora um amarelo
como outros mil, igual aos que não pude trazer comigo,
igual aos que não pude fingir, que não pude conter.

E o primeiro sorriso verdadeiro dentro de tanto quão pouco tempo,
foi o único que eu não pude ver.