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quarta-feira, 25 de novembro de 2009

#3 (O que vem de não se sabe onde)

Quando o dia-à-dia se confunde com a poesia,
é chegada então a hora de escrever.
Não sei como começar, nem sei como, ou o quê dizer,
só sei que de uns tempos pra cá ando com medo...

Ando com medo de ficar sozinho.
Com medo das sombras, com medo de qualquer sussurro...
Tento acreditar que as luzes que vejo de beira,
são coisas da minha cabeça, que as sombras que me vem na visão
são apenas pequenos de feitos que precisam de lentes corretivas...

Na verdade é como se fosse tudo um tipo de influência,
como se alguém quisesse que eu fosse mais além da moral,
mas além do que o meu caráter permite.

É como quando o corpo pede uma ou duas cinzas e não se sabe porquê,
é chegada a hora de dar uma parada, uma refletida, uma meditada...
de parar pra pensar nos quês dos quais e poréns, pra ver se fica tudo bem.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

#2 (Amigos Imaginários)

Amigos imaginários surgem não se sabe de onde,
não se sabe pra quê, não se sabem porquê...

Dores com duplo sentido fazem toda e qualquer coisa
perder todo e qualquer sentido que já pôde ser registrado,
que já pôde ser sentido, que já pôde ser dito, falado, gritado.

O último sorriso que me deixastes, fora um amarelo
como outros mil, igual aos que não pude trazer comigo,
igual aos que não pude fingir, que não pude conter.

E o primeiro sorriso verdadeiro dentro de tanto quão pouco tempo,
foi o único que eu não pude ver.

domingo, 22 de novembro de 2009

#1 (Escala de cinza)

A chuva refresca, dá uma arejada
no que o embate bateu de frente, e abateu mesmo sem querer..
A chuva desata o nó, revela o castanho,
desfaz o cacho, faz cachoeira em meus olhos,
faz casa na cachoeira do meu coração...

E eu concretizo a falta, concretizo a solidão,
concretizo tudo aquilo que sonhei não concretizar novamente,
nem em meus piores pesadelos, nem em meus maiores devaneios,
nem em meu maior momento de fúria e desilusão.

A falta me faz molhar por dentro, pra não demonstrar,
que já não me deixo levar tão fácil,
que já não me deixo abalar tão fácil,
que já não posso deixar uma gota sequer cair.

A chuva me refresca, me concretiza,
me faz sentir falta do ar puro, do cinza,
das cinzas e do mar, me faz sentir falta de poder voar,
me faz sentir falta de você.